PICO DA BANDEIRA
DATA: 13 e 14 de outubro de 2000;
PESSOAL ENVOLVIDO: José Ferraz, Mariluci, Madrinha, Nina, Jaime e Iraci;
LOCAL: Parque Nacional do Caparaó, Minas Gerais, divisa de Minas com Espírito Santo, próximo a Carangola e Manhumirim;
DESCRIÇÃO:
Sempre tive vontade de conhecer o Pico da Bandeira, não somente por ser o 3º ponto mais alto do Brasil mas também pelas descrições já lidas a seu respeito.
A proximidade de sua localização sempre foi um fator motivacional também.
No início do mês de outubro, a Iraci me ligou, dizendo que a Ana Cláudia havia conseguido uma “promoção” em uma pousada na cidade de Alto Caparaó, junto ao Parque Nacional e “nas barbas” do Pico da Bandeira! Perguntou se eu e Luci estávamos afim. Brincadeira, perguntar se “macaco quer banana”!!. Topamos e marcamos para o final de semana do dia da criança.
A Iraci e o Jaime saíram de Coronel Fabriciano na quinta à tarde, chegando à Pousada por volta das 17:00 e eu saí de Niterói na sexta, às 13:30. A Madrinha, como não estava fazendo nada de especial neste final de semana, incorporou ao GT!
Fomos de S-10, que já estava aqui em Niterói, pois ela é realmente boa para viagens deste tipo, pela sua economia e conforto. A viagem correu otimamente bem. Na localidade de Miradouro, perto de Muriaé, parei para abastecer e fazer um pequeno lanche e tive e oportunidade de conhecer o Beto, dono do Posto Sauá, e o Roberto, comerciante de carros e seu amigo, que falou sobre suas viagens pela Amazônia, Venezuela e Mato Grosso. Bom papo e gente amiga!
Saímos dali e rumamos para Fervedouro, entrando para Carangola e depois para Alto Caparaó, via Espera Feliz. A estrada é de um bom asfalto e bastante sinuosa, sem acostamento. A região é montanhosa, o que torna a viagem agradável ao ato de dirigir, para quem gosta deste tipo de estrada, é claro!
Chegamos à cidade de Alto Caparaó as 20:30 e o Jaime e a Ira estavam jogando buraco em uma varanda, junto à entrada da Pousada do Bezerra, um lindo lugar, onde o Vale, com a grande serra ao fundo, formava um lindo ambiente com a luz do luar!
Como já havia encerrado o horário do jantar, saímos para comer uma pizza, na parte central da pequena cidade. Por volta das 23:00 estávamos na cama, ouvindo um gostoso murmurar de uma cachoeira e sentindo um friosinho de uma altitude de 1100 metros! O dia seguinte prometia ficar inesquecível!
No dia seguinte, levantamos às 07:30, tomamos café, preparamos um lanche leve e, por volta das 08:45 estávamos a caminho da entrada do parque, que fica a cerca de 600m acima da Pousada. A entrada é muito bem cuidada, transmitindo uma ótima impressão de organização. Pagamos R$ 3.00 por cabeça e iniciamos a subida até o ponto chamado de TRONQUEIRA, situado a cerca de 6.5 km da entrada e a 1970 m de altitude. A estrada é muito boa, com trechos de terra e cimento, apresentando lindas paisagens pelas curvas por onde se passa.
A TRONQUEIRA é uma área aberta, com um pátio de estacionamento para carros e é onde termina a estrada de terra e começa a trilha para o próximo ponto, que é o TERREIRÃO, situado a 2400 m de altitude e a 4.5 km de distância. No trecho entre estes dois pontos, a paisagem vai ficando cada vez mais interessante, não somente pela altitude, mas também pela vegetação que vai se alterando. A trilha acompanha um pequeno riacho de águas cristalinas que, se não me engano, é a nascente do rio Manhuaçú.
Ao chegarmos no TERREIRÃO, às 11:30, encontramos várias pessoas que passaram a noite por ali, para ver o sol nascer e apreciar de perto o friozinho da montanha. Utilizam também como base para alcançar o Pico à noite, para quem quer ver o nascer do sol. Neste local, o IBAMA montou uma infra-estrutura adequada, com uma casa com banheiros e chuveiros, aquecimento da água por energia solar e pias com água potável. Neste ponto, existem os restos de um avião da FAB, provavelmente um T-25, que se chocou com a montanha há muito tempo, pois este avião nem voa mais para a Força Aérea.
Existe também um abrigo bastante rústico, feito em pedra e sem conforto, com um fogão de lenha bem “mineiro” em seu interior. Sem dúvida, passar uma noite em seu interior, com uma noite bem fria, deve ser “inesquecível”!!
Cerca de 11:50 começamos a caminhada para o topo do monte, ou seja para o Pico da Bandeira! A Nina e a Madrinha não partiram para esta empreitada junto conosco, pois a subida seria mais puxada e, se quiséssemos alcançar o topo, levaríamos cerca de duas horas, em uma marcha mais forte e estávamos preocupados com a resistência das duas, pois o sol estava de rachar e ainda teríamos que voltar a mesma distância.
Realmente a subida se tornou mais forte, com trechos bastante íngremes, exigindo algumas paradas para se tomar fôlego, afinal o TERREIRÃO está a 2400 metros e o Pico a 2890 metros e o oxigênio já começa a rarear!
Durante este trajeto, em todo momento pensávamos que não seria possível alcançar o Pico naquele dia, pois saímos tarde e se demorássemos demais na subida, o regresso poderia ficar comprometido. Quando avistamos o último platô e encaramos a imagem do Cristo cá de baixo, pensei comigo – “agora eu chego lá, nem que seja sozinho!!!!” Comentei com o Jaime e ele disse também a mesma coisa! Iremos de qualquer jeito!! Fui com a Luci, dando uma força, pois ela estava sentindo mais a falta de ar e também, no final, faltando uns 150 metros, começou a sentir umas caimbras
e isso me preocupou, pois na Ilha da Trindade eu já havia tido um problema parecido com este, quando um “Naval” de quase 100 kg, no retorno de uma caminhada de quase 4 horas à praia do “M”, começou a sentir dores na perna e tivemos que improvisar um apoio para ele. Por sorte ele acabou se safando e conseguiu retornar sem maiores problemas. Mas a perna da Luci não deu maiores complicações e ela conseguiu chegar ao topo e comemorar a conquista deste grande objetivo!
Em seu topo se pode observar os estados de Minas e Espírito Santo, como se diz em Minas, até onde a vista alcança e, por sorte nossa, a visibilidade estava excepcional. Pode-se notar que, realmente, em toda a região, não existe nada que chegue perto da altura deste Pico!. O vento que sopra é contínuo e geladinho.
Era 13:20 quando o alcançamos, andamos 9 km da TRONQUEIRA até este ponto e o sol estava lindo, com poucas nuvens, possibilitando um cenário inesquecível.
Valeu a pena!!
Havia várias pessoas em seu topo, descansando, curtindo a conquista e preparando a volta! Muitos juravam que nunca mais voltariam lá, como a Iraci, por exemplo, que estava com os pés inchados, em função de um tênis “zeradinho” que havia colocado exatamente para fazer esta conquista! Grande engano, pois ele estava um pouco apertado e com o inchaço dos pés, a situação acabou ficando muito desconfortável pare ela. Tanto que decidiu retornar de sandálias havaianas! Nesta parte do Pico existe uma imagem de Cristo, que alguns vândalos e desmiolados picharam algumas partes e danificaram as mãos; uma antiga torre de rádio, abandonada e um cruzeiro.
Existe também, a base me concreto de uma casa de madeira, que era utilizada como abrigo por excursionistas, mas algumas pessoas de pensamento simiesco acharam por bem destruir. Interessante esta característica de alguns seres humanos que não sabem preservar algo de lindo e de propriedade comum. E isto não está relacionado com o nível cultural e sim com a educação de um modo geral, ou seja, civilidade. Penso que isto é o que está faltando para nossa gente. E esta matéria é também ensinada em nossas casas, por nossos pais, desde de pequenos.
Começamos a descer às 14:00 e tudo correu muito bem. Realmente a descida é muito mais tranqüila. Ninguém se machucou, as caimbras da Luci não se manifestaram mais e somente a Ira reclamava quando pisava em uma ou outra ponta de pedra!
Neste trecho pudemos observar uma fonte de água cristalina e geladinha. Maravilha da natureza! Havia também algumas flores vermelhas, que nascem sobre as pedras, em suas reentrâncias, destacando-se das demais. Segundo a literatura do Parque, seu nome é “flor silvestre”.
Ao chegarmos ao TERREIRÃO, às 15:30 ( levamos 1:30 h para descer), a Nina e a Madrinha estavam descansando na varanda da casa de apoio, deslumbradas com a aventura, pois elas também foram até próximo da última encosta, retornando daquele ponto. Surpreendente a resistência das duas!
Iniciamos o retorno cerca de 15:50 para a TROQUEIRA, tomando o cuidado de não cair.
O sol continuava bastante forte, mas não o sentíamos muito, por causa da temperatura. Cerca 1:50 horas depois estávamos chegando à TRONQUIRA, onde descansamos e iniciamos o retorno para a Pousada.
No caminho, cerca de 300 metros estrada a baixo, o Jaime nos convenceu e ver uma cachoeira de 80 metros de altura de queda d’água, situada um pouco mais abaixo( Cachoeira Bonita). Fomos eu, a Luci , o Jaime e a Nina. Realmente fantástica!!
Muito limpa e linda. Existe uma piscina natural formada pelas pedras, tornando-a irresistível! Demos um bom mergulho, eu e Luci, e foi ótimo para recuperar as energias. A água estava bem geladinha, mas dentro do limite da tolerância, principalmente em função da hora, pois já era quase 6:00 da tarde!
Saímos dali e retornamos para a pousada, não sem antes tirarmos umas fotos da entrada do Parque, para registrar o evento. Grande evento!!
Tomamos um gostoso banho e jantamos uma comidinha caseira e gostosa! Às 21:00 estávamos na cama dormindo o sono dos justos!!
Levantamos no dia seguinte, domingo, às 08:30 e tomamos um gostoso café da manhã. O dia continuava lindo e resolvemos dar um passeio pela região, para conhecer mais alguns pontos. Andamos uns 20 km em estrada de chão, para ver uma cachoeira especial, que se encontrava anunciada na internet, mas acabamos não a encontrando e resolvemos retornar para a Pousada, pois a hora do almoço já se aproximava.
Almoçamos e iniciamos o retorno, cada um para suas casas.
Chegamos em Niterói às 19:00 horas e a Ira e o Jaime chegaram mais cedo, pois Timóteo fica bem mais perto.
Grande passeio, onde pudemos apreciar paisagens incríveis e vivenciar situações de desafios, vencendo as barreiras que nos foram apresentadas e tirando lições para emprego em nossas vidas! Nunca havíamos caminhado tanto em um único dia e nem alcançado altitudes tão elevadas utilizando as próprias pernas! Vencer desafios é sempre muito gratificante! Boa experiência!
Quem sabe em breve a gente não retorne por aquelas bandas??
Quem desejar ver fotos acesse:
http://www.ferrazzx11.hpg.ig.com.br/esportes/113/index_pri_1.html
José Ferraz de Oliveira